Será que é possível diminuir nossas frustrações e o sofrimento por nossas perdas?

Quando paramos para observar a vida, se estivermos atentos, percebemos coisas além da superfície. Há muito mais a ser considerado no que determina nossa satisfação e felicidade. A maioria de nós raramente percebe a responsabilidade que tem em relação à própria vida. Precisamos entender que somos os responsáveis por nossas escolhas, ninguém mais. Somos nós que decidimos os caminhos que trilharemos e, com essa decisão, o tipo de experiência que viveremos. Entretanto, a sabedoria necessária para a escolha mais adequada depende de certas considerações e reflexões. A primeira reflexão é o reconhecimento da impermanência das coisas. Tudo muda o tempo todo, e essa mudança não está sob nosso controle. Por exemplo, não podemos permanecer jovens a vida toda. Se não morrermos agora, haveremos de envelhecer. Nada nem ninguém está sob nosso controle, o que significa que nossas prioridades e interesses estão sempre mudando. Somente essa reflexão já seria o suficiente para reduzir, em muito, nosso sofrimento e frustração diante da vida. Temos uma inadequada tendência a nos apegarmos às coisas, pessoas e emoções, como se fossem eternas. Se reconhecermos a transitoriedade de tudo, poderemos viver intensamente nossas alegrias, quando surgirem, sem a infeliz ideia de querer perpetuá-las. Nem mesmo as pessoas de quem gostamos poderão estar eternamente conosco. Tudo o que se encontra está destinado à separação. Das coisas que causam essa separação, a morte é a mais definitiva e dolorida. Precisamos reconhecer que o passado não mais importa e que o futuro será determinado pelo agora! O reconhecimento consistente da impermanência levará, certamente, à atitude de desapego. Precisamos aprender a largar. Caso contrário, além de já não mais estarmos felizes, fechamos as portas para novas experiências e possibilidades. Não seremos felizes se condicionarmos nossa felicidade a algum fator externo ou a outra pessoa. Nada pode nos possuir, assim como não podemos possuir nada. Nem a melhor das relações humanas estará livre da separação. Se a união resulta em felicidade mútua, que seja vivida enquanto durar, mas devemos estar conscientes de que, a qualquer momento, pode acorrer uma separação, seja voluntária ou causada pela morte de uma das partes. Essa é uma verdade incontestável e inexorável. Então, para diminuir nossas frustrações e o sofrimento por nossas perdas, precisamos adotar uma postura mais livre diante da vida, mais desapegada. Somente a consciência de que estamos aqui, transitoriamente, poderá diminuir o peso da angústia de estarmos à mercê de um universo dinâmico e sempre em mutação onde, a cada segundo, coisa surgem e coisas desaparecem. Reflitam sobre isso; pode ser de grande valia numa hora de dificuldade, ansiedade, angústia e medo.

A natureza humana

Quem é o homem? Essa pergunta dá margem a muita reflexão! Sem dúvida, necessitamos elucidar a natureza do homem antes de tentar responde-la. Platão falou muito da natureza humana, fazendo uma separação entre o corpo e a mente – ou alma – que, embora unidos, não se misturam. Aquilo que pensarmos ser a natureza do homem definirá o sentido, o propósito e a “consequência” de sua existência. Observando o comportamento do homem, podemos percebê-lo como: Animal, espiritual, social, individual, político, econômico, intelectual, sexual, etc. Disso depreendemos que o homem pode ser entendido como espécie, ou seja, como Ser coletivo e, após esse entendimento, estudado como indivíduo, com sua própria história e particularidades que o tornam único. O atributo que torna o homem diferente de todas as outras formas de vida com as quais compartilha este planeta é a consciência. Temos consciência de nossa existência e de nossa mortalidade. A consciência, embora individual, é absolutamente dependente da coletividade em sua estrutura funcional que, para interagir, encontrou meios muito eficientes de comunicação, sendo o principal a criação da linguagem. A linguagem torna a experiência individual passível de ser compartilhada, acrescentando mais e mais conhecimento aos indivíduos que a entendem. Isso originou a estrutura social que define o papel do homem na coletividade, determinando o comportamento que é e que não é aceitável. A partir daí entra o indivíduo que, embora social, tem sua própria maneira de entender o mundo e, muitas vezes, pensa e deseja viver uma vida bem diferente daquela “socialmente” aceita. Dentro de cada um de nós há uma divergência entre o que somos e o que precisamos ser para vivermos em sociedade. Essa divergência tem intensidade diferente para cada indivíduo. Para o biólogo Lorenz, o homem tem em si uma agressão inata contra sua própria espécie, pois carrega, assim como os outros animais, um impulso fisiológico desse comportamento. Embora consciente e social, tem um corpo animal ainda muito próximo dos primórdios de sua origem, muito vulnerável aos instintos sexual e de sobrevivência, arraigados em sua constituição. É possível que a percepção da divergência entre indivíduo e sociedade tenha levado Freud a estabelecer a ideia de que o bem-estar depende de uma relação harmoniosa entre o processo mental individual e realidade social em que se vive. Seu trabalho e intenção era harmonizar o indivíduo e o mundo utilizando técnicas que deram origem à psicanálise. Há muito para ser dito, mas o que escrevemos aqui basta, por enquanto, para provocar um impulso de reflexão e curiosidade sobre essa espécie tão incrível à qual pertencemos – a espécie Humana.

Como gerar gratidão e manter uma mente serena?

       Neste turbilhão social em que nossas vidas se encontram, ficamos imersos em nosso mundo, alienados do universo dos outros e vivendo um paradigma pessoal, muitas vezes inflexível, cheio de conceitos, conveniências e egoísmo.        Há uma tendência mundial de nos sentirmos num campo de batalha, onde sobrevive o mais forte. Raramente paramos para observar alguém e tentar entender seu modo de lidar com a vida. Estamos perdendo nossa humanidade. Entre tantos fatores, a tecnologia contribui bastante para essa interação superficial, mediada por uma existência “virtual” e fria.        Precisamos urgentemente mudar esse curso. Nada há de mais importante que o Ser humano. Todos buscamos sobreviver, ter conforto e felicidade.        O problema é que como diminui, a cada dia, nossa interação mais pessoal, passamos frequentemente por cima dos interesses dos outros e, muitas vezes, sem nos darmos conta disso.        Quando nos relacionamos, esperamos encontrar pessoas perfeitas, que preencham “pré-requisitos” fundamentais para o relacionamento, como se fôssemos mais importantes que a outra pessoa e esta tivesse a obrigação de nos servir. Essa é uma atitude que acontece em muitas situações da vida cotidiana. Isso pode, facilmente, ser constatado numa fila de banco, num estacionamento, no trânsito, em repartições públicas, etc., onde muitas pessoas tentam burlar as regras e passar na frente dos outros. Quando não conseguem, ficam visivelmente irritadas e com raiva. Achamos que nosso tempo é mais importante e, por isso, deve prevalecer sobre os demais. Já vi, muitas vezes, pessoas humildes esperando para falar com o gerente de seu banco que foram imediatamente preteridas com a chegada de um cliente mais “influente”.        Tantas pequenas coisas vão se juntando que acabam minando a compaixão, a cordialidade, o respeito, o amor e vontade das pessoas em compartilhar e de tornar a vida social mais aconchegante.        O efeito geral disso é a produção de uma pessoa automática, fria, desconfiada e impessoal. De modo geral nossas frustrações se refletem em nossa vida familiar. Tornamo-nos mais agressivos e imediatistas. Embora, num convívio de anos, tenhamos vivido momentos de grande alegria, ternura, amor, dedicação, amizade e compreensão, nos iramos quando algo ruim acontece, quando ouvimos algo de que não gostamos, quando nos sentimos contrariados ou, ainda, diante de uma “imperfeição” daqueles com quem convivemos. A partir daí, tendemos a nos lembrar apenas das coisas ruins, esquecendo tudo de bom que já aconteceu. Por quê? Provavelmente porque a coisa ruim deixa uma lesão inacabada, como uma ferida, que tem que se curar e, após fechada, pode deixar cicatriz. As coisas boas são armazenadas de modo mais sutil, ficam na memória, mas não são fonte frequente de estímulo, precisando, por isso, de maior concentração para serem lembradas. Há, também, o agravante do egoísmo. Somos importantes demais para sermos afrontados, quem são essas pessoas para irem contra nossos interesses? A falta de humildade e de identificação com o próximo são fatores muito fortes nesse mecanismo.        Agora entramos no âmago da questão. Precisamos mudar nossos paradigmas e voltar a enxergar as pessoas como iguais. Quando isso é alcançado, desenvolvemos características nobres em nosso espírito. Nos tornamos compassivos e passamos a ver a dor dos outros como possível de ser nossa também. Quando vemos um idoso com dificuldade para andar na calçada, podemos nos reconhecer nele, nada há de inferior nessa pessoa, tudo é uma questão de tempo. Se vivermos bastante, chegaremos a esse estado. Também podemos adoecer, perder as pessoas de quem gostamos, perder status, perder a beleza, a juventude, nossos parceiros, etc. Não somos melhores que ninguém. A única vantagem que podemos ter é o reconhecimento dessa igualdade, nos tornando mais resignados diante da natureza inexorável da vida, que não tem preferidos. Com isso poderemos amar mais as pessoas e aproveitar cada momento bom, sem apego, reconhecendo que as coisas mudam. Se pensarmos assim, não teremos indiferença para com a dor das pessoas que cruzam nossas vidas. Sentiremos menos raiva e ganharemos uma consciência mais serena, dormindo em paz, num sono que não carrega o peso da revolta e do ódio, que minam nossa paz e saúde. Também, pelo reconhecimento de igualdade para com todas as pessoas, desenvolveremos a gratidão pelas coisas boas que delas recebemos. Mesmo para a coisa mais simples, pois exigiu um tempo da pessoa que nos ajudou. O tempo é nosso bem mais precioso. Quando o doamos ou o recebemos, estamos trocando o maior tesouro que temos. Nada melhor do que a gratidão para recompensar isso.        Reflitam sobre esse tema. Tragam paz para suas vidas. Tentem adquirir o hábito de olhar as pessoas e, também, os animais, como seres dignos de seu respeito e atenção.

A natureza da mente na psicanálise

 Há muitos tempo, o homem vem tentando entender o funcionamento de sua própria mente. Não podemos negar que seu mecanismo nos parece misterioso, senão mágico. Achamos que nos conhecemos muito bem, até que uma situação inusitada aconteça e, de repente, nos surpreendemos com a forma como reagimos a ela e com a aparente inconsistência dessa reação, quando comparada àquilo que acreditávamos ser e pensar. Por que somos assim? Muitos pensadores e filósofos vêm tentando explicar o comportamento humano há milênios. O início de um estudo mais pragmático, consistente e científico aconteceu com as pesquisas do Dr. Sigmund Freud, no final do século XIX. Freud postulou que a mente apresentava três instâncias funcionais: O consciente, o pré-consciente e o inconsciente. Se compararmos o todo da mente a um iceberg, o consciente seria a pontinha que está para fora da água, o pré-consciente a parte que hora se esconde e hora aparece, conforme a superfície da água se movimenta ao redor da ponta emersa do iceberg, e o inconsciente seria a parte sempre imersa. Esse exemplo é bastante útil pois, também, ilustra, em relação à mente como um todo, a proporção daquilo de que temos consciência enquanto estamos acordados. A parte consciente é muito pequena e a inconsciente é muito grande. Com essa percepção, o segundo passo de Freud foi tentar achar um método para acessar o inconsciente. Daí surgiu a psicanálise, matéria bastante específica dentro da psicologia. Freud percebeu que o inconsciente se manifesta, com frequência, através de atos que chamou de: – chistes – manifestações de humor, gracejos, piadas, atrás das quais a pessoa tenta dizer, de modo “disfarçado”, aquilo que realmente pensa; – –      – atos falhos – são aqueles que, embora pareçam ter sido um acidente, podem indicar a verdadeira forma de pensar da pessoa, caracterizando-se por falhas da linguagem, falhas da escrita, esquecimento de boas maneiras e etiqueta diante de certas pessoas, situações, etc.; –  os sonhos –  muitas vezes, manifestação de desejos reprimidos e recalcados em nosso inconsciente que, aqui, ganham a liberdade para se manifestar, buscando a realização.  Mas como proteção, os sonhos se apresentam deformados, sendo essa deformação um mecanismo de proteção, evitando ferir o ego do sonhador que, consequentemente, acordaria. Situações de conflito podem levar àquilo que chamamos de sonhos recorrentes. Para Freud, os sonhos eram a chave para a psicanálise. Acreditava nisso a ponto de fazer a seguinte afirmação: “Quando me perguntam como pode uma pessoa fazer-se psicanalista, respondo que é pelo estudo dos próprios sonhos”. A interpretação dos sonhos recebe o nome de oniromancia. Vem sendo praticada pela humanidade desde tempos imemoráveis. Há registros de interpretação dos sonhos na Caldéia, no Egito antigo e, até, no Velho Testamento, onde se relatam as interpretações de José. Como vemos, a mente humana é misteriosa e fascinante. Busquem aprender mais, pesquisem, pois se trata de um conhecimento que pode se transformar num instrumento muito útil para a compreensão da natureza humana.

O que você está buscando em sua vida?

O que você está buscando em sua vida?        A imensa maioria de nós simplesmente vive. Temos uma rotina que, com o tempo, nos transforma em seres autômatos. Quase tudo o que faremos durante a semana, o mês, o ano, está determinado por essa rotina na qual, distraídos, nos colocamos.        Por que tendemos a agir dessa forma? Nossa sociedade está organizada de modo a produzir conceitos e padrões, aparentemente, tão consistentes que, paulatinamente, vão retirando nossa “individualidade”, fazendo-nos acreditar que seus valores são melhores que os nossos. Fica quase natural nos permitirmos moldar-nos por ela. O que realmente importa é a felicidade. Podemos ser felizes de infinitas maneiras, – desde que respeitando os outros seres -, em qualquer fatia sociocultural a que pertençamos, com infinitos valores, com qualquer aparência. Por que precisamos corresponder ao que esperam de nós? Quem disse que gente magra é, necessariamente, mais bonita que gente gorda? Quem disse que gente bonita é mais feliz que gente feia? Quem definiu o que é bonito e o que é feio? Quem disse que gente rica é mais interessante que gente comum? Quem disse que uma determinada raça humana é melhor que outra? Qual crença é a melhor? Esses são exemplos das tolices que consomem quase que totalmente nosso tempo de vida aqui na Terra. Ficamos tão imersos nesses conceitos que nos esquecemos de quem somos.        Em minha prática médica, que já completa 30 anos, estudei meus irmãos humanos enquanto os consultava. Aprendi muito com meus pacientes, inclusive a respeitar e a amar a diversidade. Sempre que tenho a oportunidade e a intimidade necessárias, lhes pergunto se sabem o que é a felicidade, ou se sabem o que querem para ser felizes. A maioria não sabe responder, muitos não têm uma resposta definitiva, e uma minoria, geralmente a mais idosa, busca uma vida simples, com mais afeto, uma companhia carinhosa com quem possa conversar, relação de amizade com parentes e pessoas próximas e, frequentemente, o amor de um animalzinho de estimação. Tenho acompanhado alguns pacientes terminais com câncer, pessoas desenganadas, que são os mais extraordinários. Perceberam a natureza efêmera e ilusória da vida e tudo o que desejam é se perdoar de erros cometidos por orgulho e ignorância que, agora, superaram ao perceber sua mortalidade. Desejam pedir perdão e, muitas vezes, agradecer ajudas e favores. Sentem muito amor por seus próximos e querem morrer com consciência leve. Esse deveria ser nosso entendimento da vida a todo momento, mas, infelizmente, estamos iludidos por todo esse cenário tolo que nos cerca, fazendo-nos, durante muito tempo, ignorar nossa mortalidade e o direito do próximo à mesma felicidade que perseguimos.        Pensem nisto: ninguém viverá para sempre. Procurem o autoconhecimento, procurem adquirir respeito pelos outros seres com os quais compartilhamos o mundo, incluindo animais e plantas. Busquem sair dos “moldes”, a menos que seja seu real objetivo, e, com isso, viver suas vidas como realmente sentem e precisam. Amor, respeito e compaixão são sentimentos que nos trarão a verdadeira felicidade, assim como verdadeiros amigos.        Nunca me esquecerei da linda atriz Sandra Bréa que, perto de morrer de AIDS, disse a um repórter: “Eu sou totalmente amor”.