Quem é o homem? Essa pergunta dá margem a muita reflexão!

Sem dúvida, necessitamos elucidar a natureza do homem antes de tentar responde-la. Platão falou muito da natureza humana, fazendo uma separação entre o corpo e a mente – ou alma – que, embora unidos, não se misturam. Aquilo que pensarmos ser a natureza do homem definirá o sentido, o propósito e a “consequência” de sua existência.

Observando o comportamento do homem, podemos percebê-lo como: Animal, espiritual, social, individual, político, econômico, intelectual, sexual, etc. Disso depreendemos que o homem pode ser entendido como espécie, ou seja, como Ser coletivo e, após esse entendimento, estudado como indivíduo, com sua própria
história e particularidades que o tornam único.

O atributo que torna o homem diferente de todas as outras formas de vida com as quais compartilha este planeta é a consciência. Temos consciência de nossa existência e de nossa mortalidade. A consciência, embora individual, é absolutamente dependente da coletividade em sua estrutura funcional que, para interagir, encontrou meios muito eficientes de comunicação, sendo o principal a criação da linguagem. A linguagem torna a experiência individual passível de ser compartilhada, acrescentando mais e mais conhecimento aos indivíduos que a entendem. Isso originou a estrutura social que define o papel do homem na coletividade, determinando o comportamento que é e que não é aceitável. A partir daí entra o indivíduo que, embora social, tem sua própria maneira de entender o mundo e, muitas vezes, pensa e deseja viver uma vida bem diferente daquela
“socialmente” aceita. Dentro de cada um de nós há uma divergência entre o que somos e o que precisamos ser para vivermos em sociedade. Essa divergência tem intensidade diferente para cada indivíduo.

Para o biólogo Lorenz, o homem tem em si uma agressão inata contra sua própria espécie, pois carrega, assim como os outros animais, um impulso fisiológico desse comportamento. Embora consciente e social, tem um corpo animal ainda muito próximo dos primórdios de sua origem, muito vulnerável aos instintos sexual e de sobrevivência, arraigados em sua constituição.

É possível que a percepção da divergência entre indivíduo e sociedade tenha levado Freud a estabelecer a ideia de que o bem-estar depende de uma relação harmoniosa entre o processo mental individual e realidade social em que se vive. Seu trabalho e intenção era harmonizar o indivíduo e o mundo utilizando técnicas que deram origem à psicanálise.

Há muito para ser dito, mas o que escrevemos aqui basta, por enquanto, para provocar um impulso de reflexão e curiosidade sobre essa espécie tão incrível à qual pertencemos – a espécie Humana.

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