Como gerar gratidão e manter uma mente serena?

Como gerar gratidão e manter uma mente serena?

       Neste turbilhão social em que nossas vidas se encontram, ficamos imersos em nosso mundo, alienados do universo dos outros e vivendo um paradigma pessoal, muitas vezes inflexível, cheio de conceitos, conveniências e egoísmo.

       Há uma tendência mundial de nos sentirmos num campo de batalha, onde sobrevive o mais forte. Raramente paramos para observar alguém e tentar entender seu modo de lidar com a vida. Estamos perdendo nossa humanidade. Entre tantos fatores, a tecnologia contribui bastante para essa interação superficial, mediada por uma existência “virtual” e fria.

       Precisamos urgentemente mudar esse curso. Nada há de mais importante que o Ser humano. Todos buscamos sobreviver, ter conforto e felicidade.

       O problema é que como diminui, a cada dia, nossa interação mais pessoal, passamos frequentemente por cima dos interesses dos outros e, muitas vezes, sem nos darmos conta disso.

       Quando nos relacionamos, esperamos encontrar pessoas perfeitas, que preencham “pré-requisitos” fundamentais para o relacionamento, como se fôssemos mais importantes que a outra pessoa e esta tivesse a obrigação de nos servir. Essa é uma atitude que acontece em muitas situações da vida cotidiana. Isso pode, facilmente, ser constatado numa fila de banco, num estacionamento, no trânsito, em repartições públicas, etc., onde muitas pessoas tentam burlar as regras e passar na frente dos outros. Quando não conseguem, ficam visivelmente irritadas e com raiva. Achamos que nosso tempo é mais importante e, por isso, deve prevalecer sobre os demais. Já vi, muitas vezes, pessoas humildes esperando para falar com o gerente de seu banco que foram imediatamente preteridas com a chegada de um cliente mais “influente”.

       Tantas pequenas coisas vão se juntando que acabam minando a compaixão, a cordialidade, o respeito, o amor e vontade das pessoas em compartilhar e de tornar a vida social mais aconchegante.

       O efeito geral disso é a produção de uma pessoa automática, fria, desconfiada e impessoal. De modo geral nossas frustrações se refletem em nossa vida familiar. Tornamo-nos mais agressivos e imediatistas. Embora, num convívio de anos, tenhamos vivido momentos de grande alegria, ternura, amor, dedicação, amizade e compreensão, nos iramos quando algo ruim acontece, quando ouvimos algo de que não gostamos, quando nos sentimos contrariados ou, ainda, diante de uma “imperfeição” daqueles com quem convivemos. A partir daí, tendemos a nos lembrar apenas das coisas ruins, esquecendo tudo de bom que já aconteceu. Por quê? Provavelmente porque a coisa ruim deixa uma lesão inacabada, como uma ferida, que tem que se curar e, após fechada, pode deixar cicatriz. As coisas boas são armazenadas de modo mais sutil, ficam na memória, mas não são fonte frequente de estímulo, precisando, por isso, de maior concentração para serem lembradas. Há, também, o agravante do egoísmo. Somos importantes demais para sermos afrontados, quem são essas pessoas para irem contra nossos interesses? A falta de humildade e de identificação com o próximo são fatores muito fortes nesse mecanismo.

       Agora entramos no âmago da questão. Precisamos mudar nossos paradigmas e voltar a enxergar as pessoas como iguais. Quando isso é alcançado, desenvolvemos características nobres em nosso espírito. Nos tornamos compassivos e passamos a ver a dor dos outros como possível de ser nossa também. Quando vemos um idoso com dificuldade para andar na calçada, podemos nos reconhecer nele, nada há de inferior nessa pessoa, tudo é uma questão de tempo. Se vivermos bastante, chegaremos a esse estado. Também podemos adoecer, perder as pessoas de quem gostamos, perder status, perder a beleza, a juventude, nossos parceiros, etc. Não somos melhores que ninguém. A única vantagem que podemos ter é o reconhecimento dessa igualdade, nos tornando mais resignados diante da natureza inexorável da vida, que não tem preferidos. Com isso poderemos amar mais as pessoas e aproveitar cada momento bom, sem apego, reconhecendo que as coisas mudam. Se pensarmos assim, não teremos indiferença para com a dor das pessoas que cruzam nossas vidas. Sentiremos menos raiva e ganharemos uma consciência mais serena, dormindo em paz, num sono que não carrega o peso da revolta e do ódio, que minam nossa paz e saúde. Também, pelo reconhecimento de igualdade para com todas as pessoas, desenvolveremos a gratidão pelas coisas boas que delas recebemos. Mesmo para a coisa mais simples, pois exigiu um tempo da pessoa que nos ajudou. O tempo é nosso bem mais precioso. Quando o doamos ou o recebemos, estamos trocando o maior tesouro que temos. Nada melhor do que a gratidão para recompensar isso.

       Reflitam sobre esse tema. Tragam paz para suas vidas. Tentem adquirir o hábito de olhar as pessoas e, também, os animais, como seres dignos de seu respeito e atenção.

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