Impermanência

Andando na rua, observei uma criança brincando aos pés de seus pais. Ela fazia um cavalinho de brinquedo saltar, relinchar e correr com uma alegria imensa. Isso me trouxe à memória minhas brincadeiras de infância. Fez me lembrar que costumava fingir ser um poderoso feiticeiro, acho que influenciado pelos seriados “A feiticeira” e “Jeannie é um gênio”. Nesses momentos eu vivia a fantasia que criava de modo real. Fazia coisas levitar, aparecer e sumir, criava castelos, naves espaciais, reinos intergalácticos etc. Comecei a crescer, e imperceptivelmente fui trocando essas fantasias por sonhos que estavam relacionados aos valores familiares e da sociedade na qual fui criado. Tive a sorte de ler alguns livros de magia e esoterismo que me fizeram pensar: nascemos, crescemos, envelhecemos e morremos. Não é difícil perceber isso em nossas vidas. Será que o mesmo ocorre a todos os objetos da consciência? Me perguntava isso com certa frequência. Certa vez, na escola, fui introduzido à astronomia por uma professora de geografia. Embora a abordagem tenha sido superficial, me despertou o interesse em conhecer o Universo do qual faço parte. Passei a estudar com muita determinação e disciplina a formação do sistema Solar. Que fascinante é o surgimento de uma estrela! Com esse conhecimento, percebi que mesmo esses corpos imensos e incrivelmente longevos não podem fugir ao ciclo da existência. Tudo, literalmente tudo, passa pelo mesmo ciclo – nascer, crescer, envelhecer e morrer. O mesmo ocorre com os dias! Pela manhã surge o sol; tem a temperatura morna e seus raios iluminam o mundo de forma suave. Em seguida o sol chega a pino, enche a terra com luz intensa e o máximo de seu calor. Conforme a tarde vai chegando, sua luz diminui e seu calor arrefece. No início da noite, o sol desparece e lentamente surge a escuridão, contudo, não sentimos medo. Não sentimos medo porque sabemos que em algumas horas o Sol renascerá. Não temos medo porque conhecemos o ciclo de nascimento, crescimento, envelhecimento e morte do dia; sabemos que haverá um outro dia. Parece me que o Universo não se cansa de nos alertar para a realidade das coisas! Dentro desse ciclo ocorre a rara vida humana que, apesar de efêmera, nos parece extremamente consistente e real. Para alguns, essa efêmera existência, parece insuportável. Qual seria o real motivo da existência? Por que existimos? Por que sofremos? Nossa! Olha aí as eternas questões da humanidade. São questões antigas, acompanham o pensamento humano, mas podem fazer muita diferença na vida daqueles que buscam respondê-las. Toda a vida está embasada na lei do mais forte onde, sempre, alguém explora outro alguém mais vulnerável . Parece injusto mas é assim. Há um relato na vida de Buda, sobre sua infância, que ilustra essa questão de modo muito bonito. Certa vez, quando ainda menino, Sidharta, o Buda, estava sentado sob uma árvore observando lavradores que aravam a terra utilizando a força animal. Observou que quando o arado revolvia a terra, expunha vermes e minhocas que eram imediatamente arrebatados por pássaros que ficavam à espreita. Observou, também, o sofrimento e cansaço dos bois que puxavam o arado. Passou por um período de contemplação e reflexão e percebeu que a cadeia que sustenta a vida é permeada de sofrimento. Pensou na vida humana e chegou à mesma conclusão. Então se perguntou: o que fazer para não sofrer? Questões assim são o âmago da verdadeira busca espiritual. Com certeza, esse é o meio pelo qual começamos a desmontar a ilusão sob a qual a maioria de nós passa toda a vida sem perceber. Não creio que haja um motivo para existir. Acho que a vida é um eterno fluir que tem como fruto a felicidade. Mas para saber o caminho que nos leva a essa felicidade, temos que existir incontáveis vezes num processo de descobertas constantes. A maior lei do Universo é sua natureza impermanente. Tudo muda o tempo todo e é exatamente essa mudança que causa o maior sofrimento da humanidade que, por natureza, tende a considerar eterno tudo aquilo de que gosta ou tem apego. Não sabemos lidar com mudanças. Ilusoriamente nos acomodamos às nossas vidas, iludidos de que nada mudará, até que as coisas mudem; aí nos desesperamos. O Universo, em seus mais ínfimos detalhes, só pode ser percebido através de sua dualidade – bom/ruim, claro/escuro, bonito/feio, quente/frio… Como gostaria de me estabilizar diante das mudanças. Acredito que o único modo para conseguir isso é me manter consciente da impermanência com que a realidade se manifesta. Se pensarmos de modo técnico, podemos dizer que só existe um eterno agora! O passado é apenas uma lembrança e o futuro uma possibilidade, mas o agora é tudo o que temos tido desde nosso primeiro alento. Quando olhamos a realidade por esse ângulo, percebemos a mágica incrível que é existir. Aparecemos e desaparecemos do instante em que existimos e, entre este surgir e extinguir, pessoas, coisas e animais aparecem e desaparecem de nossa realidade consciente. O que persiste é o efeito que deixam, indelevelmente, em cada um de nós. Impossível chegar a outra conclusão que não a de que a felicidade é o único motivo de existir. Não como objetivo, mas como sua natureza. Por algum motivo, em algum momento, perdemos essa percepção, deixamos de perceber que existir já é, por si mesmo, felicidade. A felicidade é inerente ao processo consciente puro- a consciência não apegada ou não identificada com qualquer objeto de sua percepção- da mesma forma que a luz é inerente ao calor do sol. Quando olhamos por esse ângulo, retornamos àquela criança que deixamos no passado de nossa infância. Aquela que tinha alegria e podia viver a realidade de sua imaginação que, com certeza, nunca foi menos real do que essa realidade que acreditamos existir agora. O que é real? Filosoficamente só pode ser real aquilo que permanece. Só pode ser real aquilo que não sofre ação do tempo. Só pode ser real aquilo que nunca começou e que nunca terá fim. Só pode ser real aquilo que

O corpo ideal!

Será que realmente existe algo como corpo ideal? Aparentemente as pessoas têm, cada vez mais, dedicado parte de seu tempo modelando o corpo em academias e clínicas de estética. Algumas pessoas recorrem a métodos agressivos e chegam a colocar a saúde e até a vida em risco. Infelizmente coisas assim ocorrem porque há uma grande confusão de valores na sociedade atual. A verdadeira definição de corpo ideal está muito longe do que é entendido pela maioria das pessoas. O objetivo de todos, certamente, é ser feliz, mas há uma urgência na necessidade de se mudar o foco dessa busca. Devemos focar não só a bela aparência – lembrar que a beleza física se deteriora com o tempo -, que também é uma questão de gosto, mas a saúde como um todo. Pessoas de menor estatura e de compleição física grande não poderão ser esguias e magricelas. Pessoas longilíneas, magras, não poderão ter enormes bíceps, nádegas e coxas. Há uma enorme variedade de formas em nossa espécie, e há gosto para todas elas. Devemos nos livrar da ideia padrão que os meios de comunicação e marketing vêm colocando na cabeça das pessoas, sugerindo que somente um determinado tipo faz sucesso. Isso é apenas comércio, e vem causando um considerável mal às pessoas que buscam diligentemente se enquadrar nesse padrão. O tipo ideal é aquele que, respeitando sua natureza, se mantém saudável, ágil, consciente de suas habilidades, integrado à natureza e àqueles a quem ama e com quem se identifica. A felicidade não está numa receita que se inicia com uma aparência perfeita! Encontra-se dentro de cada um de modo peculiar e pessoal, não pode ser padronizada; é temperada pelo amor, curiosidade, acertos, conquistas, erros, derrotas, ganhos, perdas, alegrias e tristezas que cada um de nós, inevitavelmente, experimentamos durante a vida. Não há vida perfeita, mas pode haver uma vida grandiosa, quando nos aceitamos e utilizamos nossa individualidade exclusiva para sermos quem somos, tecendo, durante nossa existência, uma teia de sabedoria e história, interligadas por alegrias e tristezas, que dará um colorido único a cada um de nós. Precisamos aprender a amar a nós mesmos, para sermos capazes de estender esse amor aos outros como uma fonte que não seca. Pense nisso. Você já tem tudo para iniciar sua busca por você mesmo. É só começar.

Estruturação da Mente do Homem

Retomando o homem desde seu nascimento, podemos perceber que à medida em que seu corpo se desenvolve, proporcionalmente, se desenvolve sua sensibilidade aos fenômenos de seu meio que são percebidos. Os olhos se abrem, passam a perceber a luz. Quase sempre a primeira imagem marcante que temos é a do rosto de nossa mãe; nossos ouvidos passam a perceber os sons e com isso, também, a voz de nossa mãe. Aos poucos começa a relação desse bebê com o mundo. De início, aparentemente, o bebê sente-se parte da mãe e, com o passar do tempo, começa a se diferenciar. É interessante observar que toda vez que chora, o bebê atrai atenção para si, então, cada vez que deseja a presença da mãe, ele chora, pois em seu primeiro entender, essa é a forma de conseguir o que quer. No início, o bebê nada sabe do mundo e, aos poucos, praticamente tudo lhe é ensinado. Com o desenvolver da percepção, começa a se desenvolver, também, a habilidade mental. Quando começa a processar quantidades maiores dessas informações sensoriais, começa a criar os rudimentos da realidade que passará a ser o seu universo interno. Quando observamos crianças brincando, percebemos que há algo em sua estrutura emocional muito difícil de ser explicado, que torna único cada um de nós, isso se evidencia quando vemos a reação diferente de cada uma delas a um mesmo estímulo. Situações como essa indicam que a realidade tem muito da forma como é sentida. Parece, então, que a realidade é diferente para cada um de nós.

Início da vida

Parece que a dualidade do universo se manifesta em todas as estruturas, e quando seus opostos se encontram, de algum modo algo surge. Pense na maravilha que é o processo da concepção. Após a união, o homem deixa sua semente (espermatozoides) no corpo da mulher que a recebe. Essa semente tem o poder de procurar seu alvo, quase que como tendo uma consciência, vibrando seu flagelo, nada em direção à sua outra parte (óvulo – que é a semente feminina), e a ela se unindo, inicia uma nova vida. Após essa união, surge a primeira célula, a que chamamos ovo, este caminha pela trompa e, ao cair no útero prende-se à sua parede (nidação). Aí se inicia o desenvolvimento da nova vida que, algum dia, estará sob a luz.