Eloquência – Noé de Toledo (Poesia)

Eloqüência

Poesia de Noé de Toledo

Quanta coisa tenho a dizer!
Mas o que deveria ser dito?
Nos olhos só expresso o sofrer
Do mundo escuro que habito

Escuro,  porque eu nada sei
Do que consiste esta vida
Distante de tudo que amei
Acuado com a alma ferida

Só posso andar paciente
Esperando achar a verdade
Revelada de modo eloqüênte
Que me alce da mortalidade

Mortalidade da aparência
Que mudando a todo momento
Retira de nós a eloqüência
Turvando-nos o pensamento

Quero a imortalidade do vazio
Quero aquela da escuridão
Aquela onde nada eu espio
Onde tudo é só vastidão

Assim,  sem vibrar ou sentir
Com total consciência do nada
A verdade poderia surgir
Eloqüente, embora calada

Revelando, talvez, que o amor
Possa ser a verdade final
Pois seu brilho até mesmo na dor
Resplandece com luz imortal

emagreca de modo definitivo

2 Comentários


  1. Belíssimo poema de um grande poeta! Achei ótimo vc decir publicar pelo menos um. Vai ser o maior sucesso, verá!

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